Acredite!!!

"Se o presente e de luta, o futuro nos pertence" (che)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Querem enganar quem?

MAIS UMA A VELHA ENGANAÇÃO DO TRANSPORTE COLETIVO


Mais um capítulo da novela TRANSPORTE COLETIVO DE MANAUS foi ao ar no dia 19 de abril: o Diário Oficial do Município publicou os dez contratos das “novas empresas” que devem operar o sistema de transporte público urbano a partir de abril e colocar nas ruas de Manaus 858 ônibus novinhos em folha.
Essa temporada inédita se inicia em 2007 quando a Transmanaus (consórcio criado às pressas) ganha à licitação anterior. Esse consórcio é formado pelas seguintes empresas: Transamazônica Transporte, São José, Via Verde, Ponta Negra, City Transporte, Líder e Regional Transportes. Contudo, momento de reflexão, a Transamazônica era a antiga Eucatur, a São José a antiga Vitória Régia.
Agora, no novo sistema, as seguintes empresas foram às vencedoras da concorrência pública 001/2011: Auto Ônibus Líder Ltda, City Transportes Ltda, Expresso Coroado Ltda, Global, GNZ Empreendimentos e Participações Ltda, Rondônia Comércio e Extração Ltda, Transtol Empresa de Transporte Coletivo Toledo Ltda, Viação são Pedro Ltda, Viação Nova Integração Ltda, Via Verde Transporte Coletivos Ltda.
Somente a empresa Global ficou com 02 dos dez lotes disponíveis no valor global de R$ 1.075.019.562,00 (um bilhão, setenta e cinco milhões, dezenove mil e quinhentos e sessenta e dois reais) e as demais empresas com apenas 01 lote cada uma, com valores que oscilam entre 200 a 700 milhões de reais.
Todavia, lamentavelmente, o que se assiste é uma repetição do capítulo anterior chamado Transmanaus. A grande vencedora, a Global, é a antiga São José, a Viação São Pedro a atual Ponta Negra, a “novíssima” Expresso Coroado na verdade é a atual Regional e a Rondônia, Nova Integração e Transtol são a antiga Eucatur, sendo que um dos sócios da Rondônia Comércio e Extração Ltda (conforme declaração de bens 2010) é o senhor AIRTON PEDRO GURGACZ, atual vice-governador, diretor de trânsito e tio do senador e ex-governador de Rondônia Acir Gurgacz, este sim dono da Eucatur.
Segundo a jornalista Mônica Prestes, em reportagem publicada pelo jornal A Crítica em 21 de março, os irmãos Thiago e Raphael Ferreira, proprietários da Viação Ponta Negra, sãos os sócios da Viação São Pedro; Paulo Cezar Barreira, dono da Regional Transporte é o responsável pela Expresso Coroado, Carmine Furletti, Paulo Eduardo de Oliveira e Cezar Tadeu Teixeira, todos empresários da Transmanaus, são sócios da City Transporte, Via Verde e Líder, respectivamente.
Portanto, cidadãos de Manaus, estamos vendo a velha politicagem de trocar seis por meia dúzia para enganar o povo.
Ou um milagre está ocorrendo e esses empresários tomaram injeção de competência e vergonha na cara e vão operar o sistema norteados pelos princípios de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua prestação, modicidade das tarifas e o pleno respeito aos direitos dos usuários?!
Com certeza não. O novo contrato está sendo assinado já determinando o aumento da tarifa para R$ 2,75 e a garantia dada pelo atual prefeito de que a domingueira será extinta (e aí Paulo De’ Carli?), o sistema de integração nos terminais e temporão serão diminuídos. Tudo para satisfazer a ganância dos empresários em detrimento de conquistas dos estudantes e dos trabalhadores manauenses.
Há! Você está mesmo acreditando que esses empresários que sempre rodaram com ônibus recauchutados, vão comprar ônibus novos, agora?
Ou o Negão está cego, surdo e mudo ou tem gente ganhando com essa mutreta.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Debate na ALE sobre Reforma política

Reforma política: senadora quer lista com alternância de gênero!
A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que faz parte da Comissão de Reforma Política no Senado, defende a proposta de lista fechada com alternância de nomes de homens e mulheres como um dos meios de acabar com a sub-representação feminina no Parlamento.


Interesse dos grandes


Além da lista fechada, a senadora também defende o sistema proporcional em oposição ao sistema majoritário. Ela explica que o sistema proporcional leva em consideração a somatória dos votos do candidato e do partido e/ou coligação. O majoritário reconhece somente os votos no candidato.
Para ela, a votação majoritária não fortalece partido e explica porquê o voto majoritário aparecer com força no debate. “Porque é defendido por grande partidos como o PMDB”, diz, acrescentando que “eu sou contrária a essa proposta porque a representação no parlamento não é majoritário, é proporcional.”
O estado do Amazonas, a qual representa, tem direito a oito deputados, enquanto São Paulo elege 70. A composição da Câmara dos Deputados é proporcional, destaca, alertando para o risco da votação majoritária transformar o parlamento em casa de celebridades.
“O importante não é a pessoa, mas o conjunto de ideias que essa pessoa representa”, conclui, enfatizando a defesa das propostas que fortalecem os partidos políticos e afastam o personalismo da disputa eleitoral.
E muito importante todos debaterem sobre este assunto!!!

domingo, 17 de abril de 2011

Até 2014, 35 milhões de famílias poderão ter Internet a preços populares

Meta foi estabelecida pelo Ministério das Comunicações e mensalidade pode chegar a R$15 com redução de impostos.

Até 2014, 35 milhões de famílias poderão ter internet banda larga pelo preço de R$ 35 por mês. A meta é do Ministério das Comunicações, que pretende alcançar o objetivo nos próximos três anos. De acordo com o ministro Paulo Bernardo, que participou de audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia nesta quarta-feira (6), o governo ainda pretende negociar a redução tributária para o setor. Com isso, o preço poderia chegar a R$ 15 em 39,8 milhões de domicílios.

Dados do Ministério das Comunicações apontam que 27,4% dos domicílios brasileiros têm internet. “Com o Plano Nacional de Banda Larga, queremos ampliar o acesso em regiões como o Nordeste e Norte, onde o número de pessoas conectadas é baixo em comparação ao resto do país”, explica Bernardo. No Norte, apenas 34,3% da população tem acesso à rede. No Nordeste, o índice é ainda menor, 30,2%. No Sudeste é de 48,1% e no Sul, 45,9%. “Não é possível desenvolver esses estados sem levar internet e telefonia fixa de qualidade para essas localidades”, opina o deputado Paulo Foletto (PSB-ES).
A ampliação do acesso à banda larga depende da aprovação, no Congresso Nacional, do Projeto de Lei 1.481/07, que permite o uso do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) em projetos de ampliação do acesso à internet. De acordo com Bernardo, o Fust acumula hoje R$ 9,8 bilhões, mas é destinado apenas a projetos de telefonia fixa.
Segundo o deputado Luiz Noé (PSB-RS), depois da aprovação do PL, o Fust poderá financiar projetos que levam as redes de fibra ótica ou rádio a cidades de difícil acesso e a zona rural. “Não há o interesse da iniciativa privada em financiar a estrutura em regiões distantes do País. Neste caso, o governo precisa ter a iniciativa. É para isso que o Fust será usado”, opina.
Desoneração - Na audiência, Paulo Bernardo adiantou que o Ministério pretende negociar com os estados a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para a aquisição de banda larga. Os estados que concordarem em reduzir o tributo, poderão oferecer internet a R$ 29,90.
A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) está otimista com a proposta, mas lembra que é preciso descentralizar a gestão do Ministério das Comunicações para garantir o controle sobre as prestadoras de serviço. A ideia é reorganizar os órgãos do Ministério, levando alguns setores para os estados. “O governo precisa subsidiar projetos para ampliação da banda larga, mas precisamos criar mecanismos eficazes de fiscalização, inclusive para evitar que o consumidor seja lesado. Isso só é possível com a descentralização do Ministério”, sugere.
Fonte: União da Juventude Socialista - UJS.ORG

quarta-feira, 13 de abril de 2011

59º CONEG convoca Congresso Nacional da UNE para 13 a 17 de julho, em Goiânia

O principal fórum de deliberação do movimento estudantil foi convocado no domingo (10), durante a plenária final do 59º Conselho Nacional de Entidades Gerais, que reuniu mais de 500 lideranças de DCEs, UEEs e Executivas de cursos de todo o Brasil!


O 52º Congresso Nacional da UNE (CONUNE) já tem data e local definidos. Será em Goiânia, de 13 a 17 de julho e deverá reunir mais de 10 mil estudantes de todas as regiões do país. O principal fórum de deliberação do movimento estudantil foi convocado no domingo (10), durante a plenária final do 59º Conselho Nacional de Entidades Gerais, encontro que foi realizado no último fim de semana em São Paulo, na Universidade Paulista (Unip), e teve a participação de mais de 500 lideranças de DCEs, UEEs e Executivas de cursos de todo o Brasil.

O CONUNE é um evento realizado de dois em dois anos em que, a partir da votação, elegem-se o novo presidente e a composição da nova diretoria da entidade para traçar as linhas de atuações políticas do próximo biênio. Os espaços do Congresso são abertos a todos, mas têm direito a voto apenas os delegados - estudantes que, a partir de uma votação nas suas universidades são eleitos para representar os alunos da instituição no Congresso.
A Comissão Nacional de Eleição, Credenciamento e Organização (CNECO), composta pelos membros eleitos durante esta plenária do CONEG, tem como uma de suas funções organizar esse processo de eleição dos delegados dentro das universidades. Eles também se reúnem durante os meses que antecedem o Congresso para verificar o andamento do evento. (Confira aqui os nomes dos membros eleitos para a CNECO).
É importante ressaltar que para o CONUNE acontecer em vias democráticas foi votado durante a plenária final um regimento que regulamenta o processo eleitoral e o funcionamento do evento. (Leia aqui o regimento e saiba como participar do CONUNE).
*CONEG aprova resoluções importantes para o próximo período

Reunidos na "cidade dos mil povos", lideranças estudantis de todo país aprofundaram ainda mais o debate sobre as políticas e estratégias de ação que irão orientar a luta do movimento estudantil brasileiro por uma educação de qualidade para todos.
Durante os dias 08 e 09, o CONEG realizou mais de 15 grupos de debates, além de uma grande conferência com o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, que serviram de base para a elaboração de resoluções, votadas pelos delegados na plenária final.

As cartas do I Seminário de Assistência Estudantil e da convocação do 52º CONUNE, além de seu regimento, as moções propostas pelos presentes e os membros da Comissão Nacional de Eleição, Credenciamento e Organização (CNECO) foram aprovados, entoando um grande CONEG rumo a mais um Congresso da UNE.
A primeira atividade do 59º CONEG, o Seminário de Assistência Estudantil, aconteceu na sexta-feira (08), para discutir uma nova diretriz para as políticas de assistência estudantil no Brasil. E a UNE, entendendo que a educação é um direito de todos e dever do Estado, elaborou uma carta deste I Seminário de Assistência Estudantil a ser aprovada na plenária final, no domingo (10).
Por unanimidade, os estudantes aprovaram a carta, que deixa claro que as políticas de assistências devem ser vistas como um direito social e como a garantia política de cidadania. Devem, acima de tudo, estar inseridas na práxis acadêmica, com ações articuladas com o ensino, a pesquisa e a extensão.
A carta também enumera uma série de políticas públicas, essenciais para a permanência do estudante na universidade, como creches, reprodução livre de livros, e etc.
Já a carta de convocação do 52º CONUNE foi discutida para representar a entidade e mobilizar milhões de estudantes do país em defesa de uma educação de qualidade para todos. Duas propostas foram defendidas durante a plenária final; a proposta de número dois foi aprovada pela maioria. (Leia aqui a carta de convocação)

Vale ressaltar que o objetivo da carta é levar a cada sala de aula o debate de uma universidade antenada com os desafios dos estudantes para os próximos anos, elaborados durante o CONUNE, em julho.
Fonte:Estudante.Net

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Câmara aprova MP que financia trem-bala!


A Câmara aprovou na noite de hoje o texto principal da medida provisória que autoriza o uso de recursos federais para o trem bala e cria uma empresa pública que vai administrar o transporte ferroviário de alta velocidade. A oposição usou os instrumentos regimentais para evitar a votação, mas, depois de quase sete horas de sessão, fecharam um acordo com os governistas e a proposta foi aprovada parcialmente. A votação prossegue amanhã com a análise de pontos da proposta. Depois de concluída na Câmara, o texto ainda terá de passar por votação no Senado até a próxima semana, caso contrário, perderá a validade.

A criação da Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade (Etav) foi incluída no texto da MP pelo relator, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), em conjunto com o governo para cortar caminho. A Etav está prevista em projeto de lei à espera de votação na Câmara.
Vinculada ao Ministério dos Transportes, a empresa pública será também responsável pelo desenvolvimento de tecnologia, pelo planejamento de futuras linhas, pela obtenção de licença ambiental para a implantação do trem bala. A Etav também terá a função de supervisionar a execução das obras e do sistema de operação do transporte ferroviário de alta velocidade.
O Rio e São Paulo querem sediar a nova empresa. Para resolver a disputa, o relator fixou a sede e foro da Etav em Brasília e criou dois escritórios da empresa em Campinas (SP) e no Rio de Janeiro (RJ). Ele permitiu também a abertura de futuros escritórios em outros Estados. O trecho previsto do trem bala vai ligar Campinas ao Rio, passando por São Paulo.
O texto da MP original do governo autoriza a destinação de até R$ 20 bilhões, por meio de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao consórcio que vencer a licitação, para a construção do Trem de Alta Velocidade (TAV), chamado de trem bala. Zarattini incluiu outra modificação na proposta para corrigir o valor do financiamento pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), a partir da data base de dezembro de 2008. Segundo Zarattini essa correção significará o equivalente a R$ 2 bilhões de acréscimo no valor.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Pacientes do 28 de agosto reclamam de demora no atendimento

No fim da tarde desta segunda-feira, pacientes reclamaram da falta de atendimento no Hospital Pronto Socorro 28 de Agosto, localizado no bairro Nossa Senhora das Graças, zona Centro-Sul de Manaus. A maioria das pessoas afirma ter chegado no local pela parte da manhã, no setor da emergência, e até o fim da tarde não foram atendidas. O hospital informou que a demanda de atendimento tem aumentado porque parte da população ainda procura atendimentos ambulatoriais em unidades de urgência.


O autônomo Anildo Júnior foi um dos que criticou a situação. "É uma vergonha um pronto socorro como o HPS 28 de Agosto receber as pessoas dessa maneira". Anildo estava acompanhando a mãe, que está com pneumonia. Eles chegaram às 12h na recepção do hospital. A mãe do rapaz não havia sido atendida até a publicação desta matéria.
Segundo os demais pacientes, só havia uma médica atendendo e por isso a quantidade de pessoas esperando não diminuia. Pacientes também reclamara da falta de interesse dos médicos e funcionários em agilizar o atendimento. "As pessoas não estão nos levando a sério" afirmou uma paciente que não quis ser identificada.
Funcionários do hospital disseram aos pacientes que a demora era por conta do grande número de pessoas e que uma outra médica estava sendo direcionada ao atendimento dos demais.

Atendimento de Urgência
De acordo com a assessoria de imprensa do 28 de Agosto, a maior parte dos pacientes que chega ao hospital procura tratamento de casos ambulatoriais, o que não é a prioridade da unidade de saúde. Quando os casos de emergência chegam no hospital, eles são tratados com prioridade em detrimento de outros menos urgentes.
A assessoria pede ainda que a população procure as Unidades Básicas de Saúde (UBS), Policlínicas, SPA's d Caimi's quando necessitarem de um atendimento ambulatorial.
"Só se deve procurar a rede de prontos-socorros (28 de Agosto, João Lúcio e Platão Araújo) quando precisarem de atendimento de urgência e emergência de alta complexidade. Assim poderemos dar maior resultividade ao atendimentos em todas unidades de saúde", diz a nota do órgão.
Fonte: D24h

sexta-feira, 1 de abril de 2011

1964: Relembrar é resistir

Ontem, 31 de março de 2011, o blog da JUVENTUDE relembra os principais momentos do movimento estudantil, 47 anos depois do estado de exceção vivido pelo Brasil através da instauração do regime militar

31 de março de 2011. Neste dia, o golpe militar que derrubou João Goulart e resultou em uma ditadura militar que se estendeu por duas décadas completa 47 anos. Tropas do Exército, em Minas Gerais e São Paulo, deflagraram o movimento que levou o então presidente a deixar o país e conduziram Carlos Castelo Branco ao comando. Quando se aproxima à data, muitos movimentos sociais lembram com pesar este capítulo da história brasileira.

Este ano, no entanto, o assunto trouxe à tona polêmicas consideráveis. Sem referência direta à decisão do Exército de retirar a "comemoração" de 1964 de seu calendário oficial, clubes militares, no dia 24 de março, emitiram nota saudando o golpe que apeou Jango do poder. Jair Bolsonaro (PP-RJ), deputado federal, em uma entrevista recente, também avaliou que seus "gurus" na política são todos os presidentes da Ditadura Militar e defendeu a vitalidade do regime. Para esses, os anos de chumbo, que se configuraram em supressão de direitos e garantias fundamentais, cassação de mandatos, torturas, prisão arbitrarias, desaparecimentos e mortes mereceriam o perdão da história. Contudo, todos esses atos devem, ao contrário, ser revistos e analisados com frieza e crítica para nunca mais se repetirem.
O regime militar, que se estendeu oficialmente até 1985, com a posse de Tancredo Neves em uma eleição indireta no Congresso Nacional, exilou os principais líderes da oposição e diversos artistas populares; aposentou professores de universidades; torturou e matou presos políticos; fechou sindicatos e perseguiu os movimentos estudantis. A resistência a esses feitos reuniu brasileiros com origens e histórias de vidas bastante distintas, mas que compartilharam ideias e tinham em comum um projeto de nação inviabilizado com a democracia interrompida.

Os anos obscuros começam: sede da UNE em chamas


O período que antecedeu o golpe foi conhecido como um grande momento de efervescência política e cultural dos estudantes. Estavam em voga as reformas de base proposta por João Goulart, o primeiro presidente a visitar a sede da UNE. Ferreira Gullar, Vinicius de Morais, entre tantos outros, agitavam o cenário cultural com as produções do Centro Popular de Cultura (CPC).



Mas toda essa esperança traduzida nas músicas, festivais, teatro e poesia foi soterrada por um golpe militar. Uma entidade como a UNE, cuja existência estava intrinsecamente ligada à luta pela democracia, sofria com a incompatibilidade de gênios. Tanto que, iniciado o golpe, uma das primeiras atitudes foi incendiar a sede da UNE, revelando a arbitrariedade que tomaria conta do Brasil. Anos depois, já na década de 80, no apagar das luzes do regime, o antigo prédio foi demolido pelo Governo.
O escritor Arthur Poerner, talvez o maior conhecedor da história do movimento estudantil brasileiro, contou para o Estudantenet o momento que avistou o prédio em chamas. Na época, Poerner era redator do diário “Correio da Manhã” que, no dia 31 de março, ainda não sabia qual seria o rumo do Brasil e das notícias. Na manhã no dia 1º de abril, coincidentemente o dia da mentira, deparou-se com a contraposição de imagens. "Saí de Copacabana e estava me dirigindo à redação. Os prédios luxuosos comemoravam o golpe, havia flores e velas. No caminho, em contrapartida, passei pelo prédio da UNE, em chamas. Foi um panorama lamentável", afirmou.
No livro "Memórias Estudantis", de Maria Paula Araujo, o então presidente da UNE, José Serra, relembra toda situação. "Foi muito difícil, porque uma coisa é você prever, fazer a análise: dois e dois são quatro. Outra coisa é você viver aquilo, você tem de alargar o corpo, não é achar que no fundo aquilo não vai acontecer. Quando aconteceu, parecia um pesadelo, na primeira noite que eu dormi, quando eu acordei, juro, eu pensei que tivesse sonhado! Não aconteceu, não aconteceu foi um sonho ruim... nunca tive essa sensação na vida tão forte quanto nesse caso."
A primeira mulher diretora da UNE, Maria de Nazaré Pedrosa, também recorda o momento no livro: "Aí quando eu olhei estava começando a entrar em chamas a Praia do Flamengo 132. O MAC, os grandes cabeças da reação, do que havia de mais reacionário no Brasil, tinham tanto ódio daquela célula ali, o que representava aquele prédio."
Relembrar é resistir


Após 1968, uma série de outros fatos marcaram o percurso da ditadura no Brasil. Honestino Guimarães, estudante e ex-presidente da UNE, desaparecido em 1973, também teve sua história registrada nos anos de chumbo. Foi ele quem segurou a entidade no período mais difícil do regime de exceção, após a instauração do AI-5. A sua representativida é tão grande que a UNE inaugurou recentemente um painel de 18 metros de comprimento e 6 de altura, montado em frente à sede,monde se impõe uma foto deste grande lider estudantil. A invasão da PUC em 1977, que reunia estudantes para o III Encontro Nacional dos Estudantes (ENE), cujo objetivo era tentar reorganizar a UNE, também foi outro terrível acontecimento.
A volta da UNE como entidade legal só aconteceu em 29 de maio 1979, em Salvador (BA). As lutas já haviam sido retomadas em 1975, ano em que houve greves em São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Brasília, encontros de estudantes e reconstrução dos diretórios centrais de estudantes (DCE's) em todo o país.
 Dez mil pessoas marcaram presença no Congresso de Reconstrução da UNE, no Centro de Convenções, gritando "a UNE somos nós, nossa força e nossa voz". Estava novamente de pé a entidade. Durante o congresso foram lidas moções enviadas por entidades, sindicatos, organizações populares e por vários presos políticos que ainda pagavam pena por terem defendido liberdade, democracia e melhores dias para o povo brasileiro.
A seguir, grandiosas lutas se travaram e milhares de pessoas foram às ruas junto com o povo exigir Anistia Ampla Geral e Irrestrita, embalados pelo Hino composto por Aldir Blanc e João Bosco que cantava "Meu Brasil, que sonha com a volta do irmão do Henfil, de tanta gente que partiu...sob o choro de marias e clarisses". Conquistada a Anistia, continuaram nas ruas reivindicando Eleições Diretas (Diretas Já!) e Assembléia Constituinte. Foi um período memorável imortalizado na voz de Milton Nascimento, que festejou: "Renova-se a Esperança, nova aurora a cada dia, e há que se cuidar do broto pra que a vida nos dê flor e fruto."
Por isso, a UNE defende hoje o trabalho da Comissão da Anistia, do Ministério da Justiça, que tem descortinado um passado ainda obscuro de nossa história e avançado nas políticas de reparação às vítimas. O Movimento Estudantil lutou intensamente durante o regime militar, e contabiliza inúmeras vítimas.
Vale ressaltar que a entidade só conseguiu recuperar sua casa no dia 1º de fevereiro de 2007, após manifestação histórica pelas ruas da capital carioca, quando milhares de jovens de todas as regiões do país chegaram ao local, derrubaram o portão e armaram um acampamento por alguns meses. O acampamento recebeu a visita de personalidades da política, cultura e outros conhecidos e anônimos que declararam apoio à campanha “UNE de volta para casa”. Posteriormente, os estudantes conseguiram reaver a posse do terreno na justiça e depois a aprovação do projeto de lei que responsabiliza o Estado pela reconstituição da sua sede.